
Dia 1 – 24/03/2010
_em trânsito
Hoje tive que pegar um táxi ... como vendi de sopetão meu carro na tarde de ontem, ainda não consegui organizar a dinâmica de vir trabalhar. Para voltar, ok, como saio sempre muito tarde (trabalho numa agência de propaganda), têm outros lôkos por aqui que também vivem de trabalho. Isso amplia as minhas possibilidades de conseguir uma caronéts a meia noite, por exemplo.
No táxi foi engraçado porque filmei toda a conversa com o taxista, e já viu, né? Taxista você dá corda em qualquer assunto e o bichinho vai que vai. Ele não percebeu mas eu filmei toda a nossa ‘viagem’, e não é que o cara deu VÁRIAS dicas de como tentar tornar o nosso dia-a-dia mais sustentável?! Ou seja, além de comentarem sobre política, religião, relacionamento, e claro, futebol, os caras também dominam o tema SUSTENTABILIDADE.
Poxa, o cara ‘boa praça’ – Seu Clodoaldo, me inspirou em vários sentidos. Além de me dar orientações práticas de como começar a usar o transporte público, ainda deu uma aula de como ele vê as pessoas contribuindo umas com as outras
Vendi de sopetão meu carro
O episódio da venda do carro foi algo, no mínimo, muito inusitado e emocionante. É bom posicioná-los que se tratava do meu primeiro carro, ou seja, o apreço ao bem era gigaaaaaaaante! (devo confessar que o carro era o meu confidente, tinha até nome – Raqmóvel, pouco original mas suficiente para nos comunicar durante longas horas. Era com o Raqmóvel que eu dividia as minhas angústias, descontentamentos, alegrias, decepções amorosas, profissionais, além de outros sentimentos que são despertados repentinamente quando dirigimos na cidade de São Paulo, como IRA, ÓDIO, quase surtos psicóticos ao deparar com uma velhinha de 120 anos dirigindo na sua frente e apreciando a paisagem ao redor J. Isso tudo para dizer que, o Raqmóvel era, sem dúvida, mais que um carro, era um divã.
Pois bem, eis que decido no domingo às 11 da noite, colocar o Raqmóvel na prateleira de um desses grandes sites especializados na compra e venda de autos. A minha relação emocional com o Raqmóvel não permitiu aceitar que o anúncio era a formalização do fim do nosso relacionamento. Não demorou uma hora, já chovia no meu email propostas indecorosas para a compra do Raqmóvel – algumas beiravam a indecência ... Como me prostituir e me desfazer do Raqmóvel a preço de banana? Não, não queria que aquele momento fosse ainda mais difícil. Tentei valorizar o passe dele, criei um anúncio agressivo : “Carro segunda donA, enfatizo que foram DUAS MULHERES que cuidaram desse carro. IMPECÁVEL e com oferta IMPERDÍVEL”. Dois dias depois desse apelo, um cidadão do interior veio determinado e preparado para levar o Raqmóvel embora.
No meio da tarde de ontem, o cidadão me liga e diz que me espera na portaria para ver o carro. Eu desço segurando só o celular e pronta para apresentar o Raqmóvel. O senhor dá meia dúzia de aceleradas no carro, diz que precisa dar aquela recauchutada, tenta me convencer de que o Raqmóvel está pior do que realmente está, e pasmem, me convence de vendê-lo em MEIA HORA. Apertamos as mãos, ele me leva ao banco para fazer a transferência do dinheiro, e em alguns minutos vejo o Raqmóvel sair pela estrada (agora sendo pilotado pela esposa do cidadão ...). Perdi meu confidente, o ícone mor da minha liberdade, e inauguro com orgulho uma nova fase da vida, REPLETA de desafios.
Fiquei tão emocionada com aquele dinheiro entrando na minha conta, que nem me toquei que não tinha feito qq formalização da venda ... Oh Gosh!!! Ligo para o meu pai, pedindo orientação a respeito e ele já me alarma dizendo que o cara podia tomar multa, atropelar alguém, usar o carro para seqüestro e coisas dessa natureza, EU FICO EM PÂNICO e percebo que, deveria ter feito as coisas com mais calma.
Ok, ok,ok ! Sou assim, tem que ser com emoção, caso contrário não funciona J Nessa mesma noite fui tomar um passe, só para garantir que tudo correria bem nessa nova fase.
É galera ... essa é a onda de tornar-se sustentável é repleta de desapegos, desafios, situações engraçadas, trágicas, difíceis, fáceis, é tennso! Mas, vamo que vamo, esse é só o começo.
Seu Clodoaldo:: “- ... é mais cobrar do que agir ...!”
_no trabalho
Zero sustentável: usei o elevador váaaaaarias vezes, não desliguei meu computador, usei copos descartáveis, e ainda comi uns 3 brigadeiros. Tudo errado, af ! Mas mereço um desconto porque estou sofrendo pela perda do Raqmóvel que se fue ...
_em casa
Depois do baque da perda do carro, saí como uma psicopata desligando tudo, tirando tudo da tomada, apertando todas as torneiras e ainda dando esporro na família pela falta de consciência e atitude.
_na balada
“Ajoelhou, tem que rezar!”, quem diria que esse ditado cairia tão bem no primeiro dia sustentável. Valeeeeeeeeeendo! E , as emoções começam, essa é minha lôka vida ... Era só uma caronéts mas uma paradinha necessária do carona, fez a caronista já vivenciar mais uma situação bem inusitada. Eu explico! Na volta do trabalho hoje pedi carona para um colega que mora, relativamente perto da minha casa. De cara ele já me avisou “- Raquel só preciso dar uma passadinha rápida na igreja”. Super estranhei pq esse meu amigo é mais ateu que o Hitler, porém como caronista não deve questionar ... segurei a onda.
Apelidei carinhosamente esse meu colega de `Jaborzinho`, tentei imaginar a acidez, humor e senso crítico da criança. O que foi bem interessante pq descobri que podemos desabafar sobre as questões do trabalho, basicamente durante toda a volta. É uma terapia em que descascamos todas as áreas, todos os funcionários, nem o porteiro escapa ... Já chegamos em casa de alma lavada, impagável.
Pois bem, o meu querido colega teve que parar na igreja por uma causa nobre, sua irmã vai se casar em dois dias e ele será a testemunha – motivo da ida à igreja para assinar papéis, e padrinho. Não passei vontade, já desci com ele e enquanto ele resolvia a parte burocrática, eu aproveitar para confessar os meus pecados e pedir a ajuda divina nessa minha insana saga moderna J
_em trânsito
Hoje tive que pegar um táxi ... como vendi de sopetão meu carro na tarde de ontem, ainda não consegui organizar a dinâmica de vir trabalhar. Para voltar, ok, como saio sempre muito tarde (trabalho numa agência de propaganda), têm outros lôkos por aqui que também vivem de trabalho. Isso amplia as minhas possibilidades de conseguir uma caronéts a meia noite, por exemplo.
No táxi foi engraçado porque filmei toda a conversa com o taxista, e já viu, né? Taxista você dá corda em qualquer assunto e o bichinho vai que vai. Ele não percebeu mas eu filmei toda a nossa ‘viagem’, e não é que o cara deu VÁRIAS dicas de como tentar tornar o nosso dia-a-dia mais sustentável?! Ou seja, além de comentarem sobre política, religião, relacionamento, e claro, futebol, os caras também dominam o tema SUSTENTABILIDADE.
Poxa, o cara ‘boa praça’ – Seu Clodoaldo, me inspirou em vários sentidos. Além de me dar orientações práticas de como começar a usar o transporte público, ainda deu uma aula de como ele vê as pessoas contribuindo umas com as outras
Vendi de sopetão meu carro
O episódio da venda do carro foi algo, no mínimo, muito inusitado e emocionante. É bom posicioná-los que se tratava do meu primeiro carro, ou seja, o apreço ao bem era gigaaaaaaaante! (devo confessar que o carro era o meu confidente, tinha até nome – Raqmóvel, pouco original mas suficiente para nos comunicar durante longas horas. Era com o Raqmóvel que eu dividia as minhas angústias, descontentamentos, alegrias, decepções amorosas, profissionais, além de outros sentimentos que são despertados repentinamente quando dirigimos na cidade de São Paulo, como IRA, ÓDIO, quase surtos psicóticos ao deparar com uma velhinha de 120 anos dirigindo na sua frente e apreciando a paisagem ao redor J. Isso tudo para dizer que, o Raqmóvel era, sem dúvida, mais que um carro, era um divã.
Pois bem, eis que decido no domingo às 11 da noite, colocar o Raqmóvel na prateleira de um desses grandes sites especializados na compra e venda de autos. A minha relação emocional com o Raqmóvel não permitiu aceitar que o anúncio era a formalização do fim do nosso relacionamento. Não demorou uma hora, já chovia no meu email propostas indecorosas para a compra do Raqmóvel – algumas beiravam a indecência ... Como me prostituir e me desfazer do Raqmóvel a preço de banana? Não, não queria que aquele momento fosse ainda mais difícil. Tentei valorizar o passe dele, criei um anúncio agressivo : “Carro segunda donA, enfatizo que foram DUAS MULHERES que cuidaram desse carro. IMPECÁVEL e com oferta IMPERDÍVEL”. Dois dias depois desse apelo, um cidadão do interior veio determinado e preparado para levar o Raqmóvel embora.
No meio da tarde de ontem, o cidadão me liga e diz que me espera na portaria para ver o carro. Eu desço segurando só o celular e pronta para apresentar o Raqmóvel. O senhor dá meia dúzia de aceleradas no carro, diz que precisa dar aquela recauchutada, tenta me convencer de que o Raqmóvel está pior do que realmente está, e pasmem, me convence de vendê-lo em MEIA HORA. Apertamos as mãos, ele me leva ao banco para fazer a transferência do dinheiro, e em alguns minutos vejo o Raqmóvel sair pela estrada (agora sendo pilotado pela esposa do cidadão ...). Perdi meu confidente, o ícone mor da minha liberdade, e inauguro com orgulho uma nova fase da vida, REPLETA de desafios.
Fiquei tão emocionada com aquele dinheiro entrando na minha conta, que nem me toquei que não tinha feito qq formalização da venda ... Oh Gosh!!! Ligo para o meu pai, pedindo orientação a respeito e ele já me alarma dizendo que o cara podia tomar multa, atropelar alguém, usar o carro para seqüestro e coisas dessa natureza, EU FICO EM PÂNICO e percebo que, deveria ter feito as coisas com mais calma.
Ok, ok,ok ! Sou assim, tem que ser com emoção, caso contrário não funciona J Nessa mesma noite fui tomar um passe, só para garantir que tudo correria bem nessa nova fase.
É galera ... essa é a onda de tornar-se sustentável é repleta de desapegos, desafios, situações engraçadas, trágicas, difíceis, fáceis, é tennso! Mas, vamo que vamo, esse é só o começo.
Seu Clodoaldo:: “- ... é mais cobrar do que agir ...!”
_no trabalho
Zero sustentável: usei o elevador váaaaaarias vezes, não desliguei meu computador, usei copos descartáveis, e ainda comi uns 3 brigadeiros. Tudo errado, af ! Mas mereço um desconto porque estou sofrendo pela perda do Raqmóvel que se fue ...
_em casa
Depois do baque da perda do carro, saí como uma psicopata desligando tudo, tirando tudo da tomada, apertando todas as torneiras e ainda dando esporro na família pela falta de consciência e atitude.
_na balada
“Ajoelhou, tem que rezar!”, quem diria que esse ditado cairia tão bem no primeiro dia sustentável. Valeeeeeeeeeendo! E , as emoções começam, essa é minha lôka vida ... Era só uma caronéts mas uma paradinha necessária do carona, fez a caronista já vivenciar mais uma situação bem inusitada. Eu explico! Na volta do trabalho hoje pedi carona para um colega que mora, relativamente perto da minha casa. De cara ele já me avisou “- Raquel só preciso dar uma passadinha rápida na igreja”. Super estranhei pq esse meu amigo é mais ateu que o Hitler, porém como caronista não deve questionar ... segurei a onda.
Apelidei carinhosamente esse meu colega de `Jaborzinho`, tentei imaginar a acidez, humor e senso crítico da criança. O que foi bem interessante pq descobri que podemos desabafar sobre as questões do trabalho, basicamente durante toda a volta. É uma terapia em que descascamos todas as áreas, todos os funcionários, nem o porteiro escapa ... Já chegamos em casa de alma lavada, impagável.
Pois bem, o meu querido colega teve que parar na igreja por uma causa nobre, sua irmã vai se casar em dois dias e ele será a testemunha – motivo da ida à igreja para assinar papéis, e padrinho. Não passei vontade, já desci com ele e enquanto ele resolvia a parte burocrática, eu aproveitar para confessar os meus pecados e pedir a ajuda divina nessa minha insana saga moderna J
Hoje já vou dormir pensando em como irei conduzir o meu segundo dia sustentável ... quem vai ser meu carona? pegarei carona? tenho reunião cedo? Ah, acho que tenho reunião cedo ... xiii outro dia para tentar administrar a falta de carro e a mudança de atitude, mas e o lixo? e o horário, e a academia e os documentooooos... acho que preciso dormirrrrrrrrr ... Zzzzzzzzz ...
Principais dificuldades:
- encarar o dia sem carro
> (deixei de fazer algumas coisas como ir à fisioterapia, e marcar exames médicos, almoçar com um amigo, porque já sabia que seria impossível chegar a esses lugares com transporte público, e o custo de pegar 4 táxis não me agradou). Resumo, fiquei entocada na agência o dia todo.
- vestuário
(foi muito desconfortável ficar de salto o dia todo, tendo que andar até chegar em casa.)
- meu lixo
Ainda tenho grande dificuldade para lidar com ele, pois agora que não tenho mais carro, fica difícil juntar o lixo e levar até algum ponto de coleta (não há nenhum perto da minha casa). Estou pensando em juntar durante a semana e, no final de semana, mesmo que a pé levá-lo até um posto de coleta ( vou testar e conto para vocês).
- lazer
Não consegui ir para a academia pq fiquei muuuuuuuuuito cansada.
Vantagens:
Consegui economizar uma grana boa: Contabilidade do dia!
Negativo: R$ 26 pilas de táxi para ir ao trabalho
Positivo: estacionas, gasolina, seguro
Estacionas: R$ 100 (já passei para avisar)
Gasolina: R$ 95,00
Seguro: R$ 174,00 (já pedi para cancelar)
Deitar a cabeça no travesseiro e sentir orgulho do esforço por uma boa causa, realizado durante todo o dia (auto-estima numa crescente).
